PARKER NÃO MORREU

A polêmica do momento sobre a saída de Robert Parker da “frente” de suas publicações cujo principal objetivo é o de pontuar os vinhos do Mercado procurando com isso orientar o consumidor quanto a qualidade de seu consumo deve ser observada com o devido cuidado.

Tendo sido aquele que criou no Mercado mundial do vinho a figura do “super” avaliador ou crítico de vinhos na década de 80, gerou a partir daí, baseado justamente em suas publicações e no seu sistema de pontuação de 100 pontos (bem mais simples de entendimento pelo consumidor que os anteriormente existentes),  marcou o sistema de comercialização de vinhos para sempre.

É indiscutível que hoje, e desde o seu surgimento, o Mercado se baseia intensamente em suas avaliações e portanto sua saída deste cenário parece, num primeiro momento, ter um potencial de catástrofe.

Porém ha de se notar  os atenuantes  a este temor: em primeiro lugar Parker não morreu, e mais do que isso, suas publicações deverão continuar realizando as avaliações de sempre com a mesma equipe que já o fazia há mais de uma década, e portanto não deverá haver uma efetiva alteração nas referidas avaliações. É claro que a oficialização e publicidade de seu afastamento na condução direta de tais publicações trará algum impacto, mas muito menor, creio, do que se possa imaginar.

Além disso temos de lembrar que na sua esteira se consagraram vários outros “super” avaliadores ou críticos de vinhos que vêm ganhando ao longo dos últimos anos cada vez mais força, ainda que nenhum tenha chegado ao nível do “Imperador do vinho”, e tenderão, a partir desta mudança, a ocuparem mais espaço que venha a surgir em razão do dito afastamento. Pessoas como John Hugh, Jancis Robinson, James Sucklin e outros, além de publicações menos nominais como o Decorchados na América do Sul , o Penin na Espanha, o Gambero Rosso na Itália, e outras publicações regionalizadas, são, em minha opinião, mais adequadas inclusive para orientar o consumidor que vem entendendo isso aos poucos e esta novidade deverá acelerar este processo.

O que é certo, para mim, é que a orientação do consumidor a partir da referência de opiniões de especialistas continuará se fortalecendo cada vez mais e, mais que isso, creio, tendendo a regionalização e um eventual espaço neste Mercado fundamental e bilionário que venha a ser deixado por um afastamento de Parker sera rapidamente ocupado pelas alternativas vigentes e por novas que surgirão cada vez mais.

Aliás, vale dizer, que em minha opinião esta diversificação que passa a ser reforçada para o consumidor em se apoiar numa diversidade maior de especialistas para seu consumo só pode ser benéfica a este consumidor e, portanto esta novidade longe de ser encarada como o presságio de uma catástrofe deve ser entendida como uma evolução necessária e benéfica ao Mercado mundial do vinho.

Importante que minhas opiniões aqui demonstradas não sejam tomadas como uma desvalorização da figura de Robert Parker, do qual, aliás, sou fã inconteste, e que tem indubitavelmente um valor e uma importância para o consumo de vinho no mundo nada menos que grandiosa, mas apenas como uma visão menos desesperada quanto ao futuro do consumo do vinho e da orientação abalizada deste, que deverão sofrer, acredito,  não mais que o efeito de uma “lombada” em seu caminho que continuará ascendente para um futuro cada vez mais brilhante.

 

Alexandre Franco

 

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